Relatório · Painel DIRPF 2024 (ano-base 2023)

Ranking de Patrimônio e RendaAs ocupações com maior patrimônio, rendimentos tributáveis e rendimentos totais declarados ao Imposto de Renda no Brasil.

Consolidação dos dados abertos publicados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil no relatório Grandes Números da DIRPF. A leitura combina três recortes complementares — estoque de patrimônio, renda tributável e renda total — para revelar como se distribui a riqueza entre as ocupações formalmente declaradas no país.

Maior patrimônio médio
R$ 3,3 mi
Titular de Cartório
Maior rendimento tributável
R$ 2,6 mi
Titular de Cartório
Maior rendimento total
R$ 2,8 mi
Titular de Cartório
01 — Sumário

O que os números revelam

Os dados extraídos do painel oficial da Receita Federal desenham um retrato nítido de como se estrutura a alta renda no Brasil. A ocupação que lidera os três recortes — patrimônio, rendimento tributável e rendimento total — é a de titular de cartório, delegatário de serviço público notarial e de registro. Em média, esse grupo declara mais de R$ 3,3 milhões em bens e supera R$ 2,5 milhões em rendimentos tributáveis anuais, distância considerável para qualquer outra categoria.

Logo na sequência aparecem as carreiras jurídicas de estado — magistrados e membros do Ministério Público —, seguidas por diplomatas, auditores fiscais e servidores do sistema financeiro nacional (Banco Central, CVM e Susep). O padrão indica forte concentração de renda em carreiras de estado, protegidas por estabilidade constitucional e por regime remuneratório definido por lei.

No setor privado, destacam-se médicos, pilotos de aeronaves, dirigentes de empresas, atletas profissionais e produtores agropecuários — grupos em que a alta renda se acumula pela via da remuneração variável, lucros distribuídos e valorização patrimonial.

02 — Rankings

As três dimensões da alta renda

Alterne entre os recortes para ver como a mesma ocupação se comporta em estoque de riqueza, renda tributável e renda total declarada.

Painel DIRPF · Grandes Números

Patrimônio Médio Declarado

Total de bens e direitos informados na ficha de Patrimônio da DIRPF, por ocupação principal.

#OcupaçãoSetorDistribuição relativaValor médio
01Titular de CartórioCartorial
R$ 3,3 mi
02Membro do Poder JudiciárioJurídico
R$ 2,9 mi
03Membro do Ministério PúblicoJurídico
R$ 2,9 mi
04Diplomata e afinsPúblico
R$ 2,5 mi
05Atleta, desportista e afinsEsporte
R$ 1,7 mi
06Dirigente, presidente e diretor de empresaExecutivo
R$ 1,7 mi
07Produtor na exploração agropecuáriaRural
R$ 1,6 mi
08Servidor das carreiras do Banco Central, CVM e SusepPúblico
R$ 1,4 mi
09MédicoSaúde
R$ 1,4 mi
10Ator, diretor de espetáculosCultura
R$ 1,3 mi
11Advogado do setor público / ProcuradorJurídico
R$ 1,2 mi
12AdvogadoJurídico
R$ 1,1 mi
Média por declarante — não representa valores individuais nem teto salarial. Considera imóveis, veículos, aplicações financeiras, participações societárias e demais bens.
03 — Análise

Cartórios: a anomalia no topo

A liderança dos titulares de cartório em todos os rankings — patrimônio, rendimentos tributáveis e rendimentos totais — não é uma coincidência estatística. O regime brasileiro dos serviços notariais e de registro atribui a delegatários pessoas físicas a exploração, em caráter privado, de uma atividade estatal essencial, remunerada por emolumentos fixados em lei estadual.

O resultado é uma categoria de rendimentos tributáveis médios superiores a R$ 2,5 milhões por ano — cerca de cinco vezes o segundo colocado — com estoque patrimonial médio próximo de R$ 3,3 milhões. Nenhuma outra ocupação combina, na mesma proporção, alta renda corrente, alto patrimônio e baixo número relativo de declarantes.

04 — Carreiras de estado

O peso do serviço público qualificado

Magistrados, membros do Ministério Público, diplomatas, auditores fiscais e servidores do sistema financeiro (BCB/CVM/Susep) ocupam, juntos, a maior parte do topo dos três rankings. São carreiras de acesso por concurso, com progressão estruturada, verbas indenizatórias relevantes e teto constitucional aplicado ao subsídio — não à totalidade da remuneração.

Quando se compara rendimento tributável com rendimento total, a diferença revela o peso das parcelas isentas: um magistrado, por exemplo, aparece com rendimento tributável médio de R$ 534 mil, mas rendimento total de R$ 1,44 milhão — indicando que quase dois terços da renda anual é composta por verbas de natureza indenizatória ou por rendimentos de tributação exclusiva.

05 — Setor privado

Onde a renda alta se forma fora do estado

No setor privado, a alta renda se organiza em cinco eixos principais: saúde de alta especialização (médicos especialistas e cirurgiões), aviação comercial (comandantes e pilotos), gestão executiva de grandes empresas, esporte profissional e agronegócio.

A diferença estrutural em relação às carreiras de estado é a volatilidade: nesses grupos, patrimônio e renda variam fortemente conforme o ciclo econômico, o desempenho individual e a jurisdição em que a renda é percebida. Nem sempre o alto rendimento anual se converte em patrimônio estável — o que explica, por exemplo, atletas figurarem no topo dos rendimentos tributáveis, mas em posições diferentes no ranking de patrimônio.

06 — Recorte tributário

Alta renda, baixa alíquota efetiva

Um dos achados mais relevantes do painel é a assimetria entre renda total e base tributável. Parcela expressiva da alta renda brasileira transita por rubricas isentas — lucros e dividendos distribuídos por pessoa jurídica, poupança, rendimentos com tributação exclusiva na fonte e verbas indenizatórias —, o que reduz a alíquota efetiva paga por quem mais ganha.

O contraste com o Impostômetro Brasil é imediato: enquanto o país caminha para uma arrecadação de R$ 4 trilhões em 2026, a base do imposto de renda pessoa física ainda repousa predominantemente sobre salários e proventos tributáveis, capturando de forma incompleta o topo da distribuição.

Metodologia

Como o ranking é construído

Fonte primária: Grandes Números da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, publicação anual da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, disponível no portal de dados abertos do órgão (gov.br/receitafederal).

Os valores representam médias aritméticas por declarante dentro de cada ocupação principal informada na DIRPF, sem tratamento de outliers. Não constituem teto salarial, valor individual, nem projeção para o exercício seguinte.

Foram considerados apenas grupos ocupacionais com volume estatístico relevante de declarantes, de forma a evitar distorções amostrais. A categorização setorial ("Cartorial", "Jurídico", "Público", etc.) é editorial e serve apenas para facilitar a leitura comparativa.

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